Ah, meu bem, se a vida fosse simples assim!
Não se engane, querido, eu não tenho medo de me machucar. Não tenho medo de pisar nos mesmos espinhos, de tropeçar nas mesmas pedras, nem de ter o coração quebrado de novo. Meu bem, não é apenas pelas coisas que você imagina. Eu, simplesmente, não quero voltar atrás.
Não leia as entrelinhas, porque elas não existem. Não imagine coisas, não acredite em coincidências ou indiretas. As coisas são apenas o que são e o que eu disse era exatamente o que eu queria dizer.
Não tenho medo de me arrepender. O que eu não tenho mesmo, é vontade.
Não quero.
Olhe bem para mim, eu sou a mesma pessoa de sempre. Com todas as vírgulas, todas as reticências e completamente sem aspas.
Não sou do tipo que fica parada só porque está com medo. Quando eu quero alguma coisa, eu vou atrás, mesmo se temer. Eu conheço bem até onde posso chegar. E quando não sei direito, saio andando às cegas, bem devagar. Um pé na frente do outro até chegar. E se não der certo?
Se não der certo não deu. O jeito é seguir adiante. Quem sabe das coisas que estão por vir? Ninguém. Se me machuco, eu choro, sofro, adoeço. Mas depois fico bem. Levanto e continuo. Sempre em frente. Nunca para trás.
Porque as coisas de trás eu já conheço bem e se tivesse algo realmente interessante por lá, acredito que eu teria ficado lá, não é mesmo? Se segui em frente, então é porque era o futuro que me interessava mais.
E aqui vou eu, de novo, sem forças, calmamente, andando para frente, sem nem ao menos imaginar o que me espera. E é assim que tem que ser meu bem.
A gente tem que seguir, porque é esse o percurso da vida. A gente anda até encontrar um lugar bom de ficar. Um lugar onde a gente queira ficar.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Canto do Olho Esquerdo
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Dias Frios
Para quem via de longe, tratava-se apenas de uma garota tímida e retraída fazendo uma grande faxina no quarto. É que ela era tão silenciosa, tão quieta. Tão cinza. Provavelmente foram os dias gelados em sua memória que a deixaram daquele jeito. Uma garota cheia de nuvens que quase nunca era notada. Quase, porque sempre existe uma ou outra pessoa que admira os dias nublados. Mas ela, coitada, nunca teve um dia sequer de chuva torrencial. Era como uma eterna garoa tímida.
Já do ponto de vista dela, era dia de tormenta. Com todos os seus gestos calmos e sem pressa, ela fazia uma tempestade dentro de si. Cansou-se dos dias sem vida. Era hora de mudar as estações. Então, com toda a ira de sua delicadeza, cuidadosamente jogou tudo dentro de uma caixa. Se despedia de suas roupas sem graça, de suas cores apagadas. Limpou as estantes, a mesa o guarda-roupas, a cama e mandou tudo embora. Inclusive, as fotos dos dias miseráveis que tanto a fizeram sofrer.
E quando não sobrou mais nada, quando a tinta das paredes que ela mesma acabara de pintar começou a secar, a chuva parou. O sol começou a aparecer bem devagar por detrás das nuvens. Ela abriu a janela, soltou os cabelos e sorriu tão levemente que todos puderam sentir o calor que começava a fazer. Claro, que ainda não era aquele calor que se faz no Carnaval. Era uma coisa tão suave quanto ela, algo tímido e corajoso. Algo como aqueles ventos que sopram no início da Primavera.
E foi assim que ela começou a florescer. Como quando a noite fria começa a ceder lugar para um dia quente, quando o vento seco começa a trazer o cheiro da chuva, como a enorme força que as flores fazem para desabrochar. Foi uma coisa tão meiga e tranquila, que nem de longe alguém poderia prever o que estava acontecendo. É que pouca gente sabe, mas é assim que acontecem as grandes mudanças: bem devagar e de dentro para fora.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Sobre o Adeus e a Dor que ele deixa
Estive me perguntando esses dias quando é que a dor passa. E percebi que ela não passa. Ela não acaba, ela não vai embora e ela nem sara também. Ela nunca cicatriza e nunca para de latejar. A dor... bom, ela deve ser uma das poucas coisas que duram para sempre.
Sabe o que realmente acontece? É que a gente se acostuma. Ela se instala ali e fica e fica e fica... e fica tanto que a gente desiste de brigar e deixa que ela exista. É como aquela roupa feia dentro do guarda-roupas. Você mesmo comprou, mas logo que chegou em casa mudou de ideia e ao invés de jogá-la fora, você só deixa ali. Nunca veste e nunca manda para a doação. Claro que ao contrário da roupa, a dor não é uma opção.
Me disseram que um dia ia passar... mas esse dia nunca chega! E eu vejo seu rosto em todos os álbuns, eu ouço sua voz em todos os meus sonhos, eu rio das nossas doces lembranças e de repente me vejo chorando... E é quando essas lágrimas começam a cair que eu sei que nunca parou de doer. O que você foi fazer, heim? Como teve coragem de me deixar aqui? Deixar sua família, seus sonhos, sua vida...
Desculpa se não entendendo, nem aceito e se grito sem conseguir desculpá-lo... Eu sei que essas coisas não se evita e que todos vamos embora um dia. Mas enquanto eu ficar aqui, eu vou ter que ficar convivendo com a dor e com todas as consequências de uma vida sem você.
Eu nunca saberei o que você estava pensando naquela noite, eu nunca verei seu sorriso de novo, nem seu rosto, nem ouvir sua voz e nem te abraçar... E você, você nunca me viu crescer. Você nunca me viu sair da escola, me formar, entrar na faculdade... Você nunca vai ver meus filhos e nunca vai apadrinhar um deles... Você nunca... você nunca... você nunca... Eu nunca mais vou poder te abraçar e dizer que te amo e mesmo que eu grite muitas vezes que sinto a sua falta, você não vai poder voltar.
Então o que eu posso fazer? Parar de chorar, jogar a dor nas costas de novo e continuar andando, sorrindo, fingindo que está tudo bem e esperar pelo dia que eu vou me juntar a você e sonhar com a possibilidade de um dia poder te reencontrar. Não aqui, mas nesse outro lugar onde você possivelmente deve estar.
Sabe o que realmente acontece? É que a gente se acostuma. Ela se instala ali e fica e fica e fica... e fica tanto que a gente desiste de brigar e deixa que ela exista. É como aquela roupa feia dentro do guarda-roupas. Você mesmo comprou, mas logo que chegou em casa mudou de ideia e ao invés de jogá-la fora, você só deixa ali. Nunca veste e nunca manda para a doação. Claro que ao contrário da roupa, a dor não é uma opção.
Me disseram que um dia ia passar... mas esse dia nunca chega! E eu vejo seu rosto em todos os álbuns, eu ouço sua voz em todos os meus sonhos, eu rio das nossas doces lembranças e de repente me vejo chorando... E é quando essas lágrimas começam a cair que eu sei que nunca parou de doer. O que você foi fazer, heim? Como teve coragem de me deixar aqui? Deixar sua família, seus sonhos, sua vida...
Desculpa se não entendendo, nem aceito e se grito sem conseguir desculpá-lo... Eu sei que essas coisas não se evita e que todos vamos embora um dia. Mas enquanto eu ficar aqui, eu vou ter que ficar convivendo com a dor e com todas as consequências de uma vida sem você.
Eu nunca saberei o que você estava pensando naquela noite, eu nunca verei seu sorriso de novo, nem seu rosto, nem ouvir sua voz e nem te abraçar... E você, você nunca me viu crescer. Você nunca me viu sair da escola, me formar, entrar na faculdade... Você nunca vai ver meus filhos e nunca vai apadrinhar um deles... Você nunca... você nunca... você nunca... Eu nunca mais vou poder te abraçar e dizer que te amo e mesmo que eu grite muitas vezes que sinto a sua falta, você não vai poder voltar.
Então o que eu posso fazer? Parar de chorar, jogar a dor nas costas de novo e continuar andando, sorrindo, fingindo que está tudo bem e esperar pelo dia que eu vou me juntar a você e sonhar com a possibilidade de um dia poder te reencontrar. Não aqui, mas nesse outro lugar onde você possivelmente deve estar.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Sonhos Estranhos
Essa noite tive um sonho estranho. Mas não estranho como um sonho qualquer. Se bem que já tive tantos sonhos estranhos que é bem capaz desse ser só mais um. É sempre tão difícil narrar um sonho estranho. Você tenta contar tintim por tintim como tudo aconteceu, mas não faz sentindo nenhum! Daí parece que sua mente não entende direito, porque ela é lógica demais para isso, e você acaba sem conseguir contar o que aconteceu. E o estranho de sonhos estranhos é que eles parecem tão reais, mas tão reais que você acaba acreditando por um tempo que eles são realidade. Até que acontece uma coisa realmente absurda e você pensa, dentro do sonho, "cara, isso é um sonho. Eu lembro de ter ido dormir e tal" e aí você percebe que é mesmo um sonho, mas você continua sonhando. E tem também aquelas vezes que você sabe que tá sonhando, abre os olhos um pouquinho para ter certeza de que está mesmo, percebe que tá na cama e volta a dormir na esperança de voltar para o mesmo sonhos, mas... Mas em todos os sonhos bate meia-noite e eles acabam. Aliás, meia-noite não. Porque essa é a hora que eles começam! É verdade! Acredite se quiser, mas eu digo que é verdade. Veja só, a realidade acaba com o fechar dos olhos, não é? E depois da realidade é que vem os sonhos. Eles são as sandices do cérebro. São o dessufocar da alma. São os gritos e as vontades contidas em nós que aparecem para dançar livremente longe de tabus e preconceitos. Eles são nossos maiores segredos. E eles são tão fora da realidade que muitas vezes não fazem o menor sentido e ficam assim... assim estranhos. E essa noite, nossa, essa noite eu realmente tive um sonho bem estranho...
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Todo o Tempo do Mundo para Parar
Não vou me embora para Pasargada
Pois lá nem rei existe mais
E esse papo de ter mulher na cama que escolher não é bem comigo.
Aqui a gente busca por Príncipes Encantados
E quando não achamos nenhum,
Sempre tem os que falam 3 línguas nas páginas dos classificados.
Essa história de saudade dos bons tempos da infância
São mais antigos que o Rio Nilo.
Sou uma menina da cidade e aqui a gente fica feliz
Quando alguém liga o ar-condicionado.
Aqui a liberdade é sexo,
Os jornais vendem mais que informam
E as horas são marcadas pelos preços das ações.
Não quero ir para Pasargada,
Mas quem sabe eu não aceite passar um par de dias
Em uma praia afastada com sinal fraco de celular
E sem internet wireless?
Com uma rede na varanda estendida entre duas palmeiras
Com um pagodezinho ao fundo,
Já que o roque é música de opinião.
É, acho que não seria de todo mal.
Afinal, aqui nós corremos tanto,
Que um fim de semana é todo o tempo do mundo em que conseguimos parar.
Pelo menos um pouquinho
Uma vez por ano.
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