
Tem uma lágrima escorrendo do canto do meu olho esquerdo. Mas ela escorre tão devagar, mas tão devagar que eu chego a me perguntar se um dia ela vai cair do meu rosto de uma vez e se perder na terra. Se perder, evaporar, deixar de ser um peso da minha alma e se transformar em uma pequena lembrança ruim. E tem tanta coisa guardada aqui dentro. Ah! Se eu pudesse jogar fora as memórias! Queria poder viver como nada aquilo tivesse acontecido. Queria não ter visto o que vi, não ter ouvido tantos gritos, não ter aprisionado tantos silêncios. Queria ter tido força suficientes para dar um basta, para dizer não. Graças a Deus não sou dona de tudo! Graças a Deus a bola nunca foi minha! Ou graças nada! Talvez se eu tivesse parado a brincadeira mais cedo, se eu tivesse voltado para casa, talvez se... talvez tudo não teria passado de um jogo qualquer. Mas não foi de mentirinha, não é? Brincadeira de adulto é realidade e não dá para fingir que foi um pesadelo comprido quando as memórias voltam todas as noites para me assombrar. Todas as noites, em todos os espelhos eu vejo as marcas do passado gravadas em mim. E como se não bastasse isso, ainda tem a droga dessa lágrima que não resolve cair logo! Para de escorrer! Para! Está na hora de secar de vez o rio cavado em minhas bochechas, minha querida. Já está passando da hora de você desaguar.
2 Comentários:
Que belo texto...
Infelizmente temos coisas dentro de nós que naum gostariamos de ter, mas eh exatamente por ter essas coisas que devemos usá-las como experiência para as próximas serem sempre melhores...
Beijaum...
Que texto bonito e triste. É tão ruim ser atormentada pelo nosso passado.
Mas não devemos pensar só nisso, devemos nos arrempender das coisas que deixamos de fazer e não das coisas que fizemos, sempre tem uma forma de concertar o que foi feito de errado.
AAdorei o texto
bjoo
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