quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A Cidade Perfeita

Acabaram-se os medos
Os perigos, os desatinos.
As pessoas nessa sociedade não brigam.
Nunca.
Tudo é organizado, todos são cordiais e educados.
Não existe mais policiamento, pois não existem mais bandido
Homicídios, furtos, sequestros, assaltos, estupros...
Tudo isso ficou no passado,
Nas páginas manchadas dos jornais.
Aliás, jornal também que não existe mais.
Só o do partido,
E nele só se encontra as coisas boas sobre o governo
E a nova cidade perfeita que ele criou.
Aqui nessa cidade não existem pragas,
Não existem ratos, ervas daninhas,
E quando alguma comida chega a apodrecer
É logo eliminada.
Aqui não existe nada imperfeito.
Os carros não têm buzinas, pois isso já não é necessário
As escolas não têm muros
As casas não têm portas
Pois com tanta tranquilidade tudo se fez sem utilidade.
As mães andam nas ruas sem precisar segurar as mãos de seus filhos pequenos
Pois eles são perfeitos demais para saírem correndo.
Os vidros não se quebram com bolas de futebol
Não existem lágrimas,
As bonecas foram esquecidas,
Pois em uma sociedade perfeita nada disso possui significado.
Não existe mais o errado,
Pois o certo é senso comum e ninguém nunca erra.
Não existem borrachas,
Os teclados não possuem a tecla delete
E nas portas não existem tapete
Pois a sujeira deixou de existir, assim como o erro.
Tudo o que existe aqui são pessoas perfeitas
Vivendo em um mundo perfeito
Onde quem canta o samba é o partido.
Aliás, samba não, porque nem mesmo eu sei
Que tipo de música pode existir em uma cidade assim:
perfeita.

2 Comentários:

Eduardo P. Fernandes disse...

De tão perfeita chega a ser chata! =P

Bjs...

Renata Chiletto disse...

Eu concordo com Dú, não tem graça nenhuma nessa cidade... então para que ser tão perfeito?