
A pessoa que por todos era querida,
Não conseguia querer ninguém.
Estava habituada a dizer "não" para os interessados
Enquanto esperava ansiosa por quem nela
Fizesse despertar o mesmo desejo.
Os dias passaram e ela cansou
Cansou de esperar, de desejar o desejo
E passou a experimentar.
Começou com um "sim"
Depois outro e mais outro.
E logo despiu-se toda.
Era tudo o que seus admiradores queriam.
Era um sim e um botão arrancado
O corpo suado sendo ferozmente maculado.
Era gritos, gemidos e alguns minutos.
As vezes um abraço, um beijo
As vezes carinho e as vezes animal.
Cansou-se de sentir o desejo,
Parou de desejar e continuava com os sins
Apenas por hábito.
Era uma rotina.
Alguns minutos de paixão e depois...
Depois nada. Depois era a cama vazia
O telefone mudo, o coração apertado.
E ela nem chorava mais.
Talvez se voltasse atrás, se dissesse não de novo...
Mas não deu. Sua voz não era ouvida e se vinha a recusa
Era forçada.
Ficou assim sua vida, sem escrúpulos,
Sem peso na consciência e sem perdão.
Passaram-se os tempos, envelheceu, perdeu o brilho nos olhos
E um dia quando estava cansada,
Ofereceu-se. Pura diversão.
O Tédio lhe trazia ideias loucas
E mesmo sabendo que depois não existia nada,
Insinuou-se
E dessa vez, quem recebeu o não,
Foi ela.
Pela primeira vez não foi desejada
Pela primeira vez havia sido recusada
E finalmente, mais uma vez desejou.
Mas não desejou o desejo de antes
Desejou a morte
Afogou-se em rancor, em dor
E chorou.
Como em muitos anos não chorava.
Descontou de uma só vez todas as lágrimas retidas ao longo dos dias
Ao longo das noites
Diante dos companheiros.
Pediu um gole de cerveja, mas pela primeira vez,
O sabor amargo da cevada se manifestou.
Pagou a conta, foi embora
Ela havia perdido o valor.
Perdeu o valor que arrancaram dela
Perdeu o valor que de prontidão entregou.
Perdeu o que começou com um sim.
Teve medo, veio a raiva e,
Talvez, ela tenha se arrependido.
Mas de quê?
Não tinha do que se arrepender.
Era o fluxo da estrada,
não dava para seguir pela contramão ou subir a calçada.
Foi para onde as coisas andaram,
O que ela poderia fazer?
Voltar os ponteiros do relógio?
Pensou em desistir, em se mudar, em começar de novo.
Pensou em pintar os cabelos, mudar as roupas, tomar um banho demorado.
E enquanto pensava, alguém novo chegou.
Apresentou-se, sorriu,
Veio a conversa, um toque de pele.
Ela sentiu ser desejada de novo
e...
cedeu.
Entregou-se, suou, gritou e amou
Pela noite toda delirou.
E no dia seguinte, ao abrir os olhos, deparou-se com
a cama vazia, o telefone mudo, o coração apertado.
E ela nem chorava mais.
Lembra que ontem ela havia chorado tudo o que podia?
Talvez ela tenha secado, talvez ela tenha desistido,
talvez ela apenas tenha se acomodado.
Ou talvez ela ainda esteja esperando
Por aquela outra pessoa que nela faria nascer
Aquele antigo desejo de querer,
Querer desejar também.
3 Comentários:
Como eu digo, é melhor um não na hora certa, do que um sim na hora errada...
Mais uma história muito boa que você escreve!
Realmente acontece muito disso...
Acho que quando a mulher, e o homem também, diz "sim" demais, realmente há essa desvalorização da pessoa...
Vejo algumas amigas, que realmente falaram tanto sim, que hoje em dia não conseguem se firmar seriamente com ninguém... E algumas outras que já falam não demais totalmente valorizadas... Sei lá...
Mas em termos gerais, adorei o texto, a maneira como você escreveu ele, com frases curtas, deu um ritmo interessante na leitura! =)
Beijosss... =*
Caracas xD
Amei esse texto, de vdd.
E cocordo com o Du xD
Nós somos estranhos...
Eiita menina danada!
Texto forte, cheio de sentimentos intensos e profundos, que doeem no personagem do texto e em quem o lê!
Se perder na ansia de querer se encontrar ou encontrar algo que te faça se sentir viva...é assim que vi o texto
Voce vai longe ainda e eu vou estar acompanhado esse talento todo!
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