Não era um dia como todos os outros, mas ao mesmo tempo parecia que era. Não haviam bandeirinhas nas ruas, ou cartazes com declarações de amor. Não haviam elegantes cavalos desfilando pelas ruas com balizas dançando enfeitadas. Não havia música alta, nem velinhas coloridas. Mas era o seu aniversário.
Um imenso céu azul claro se estendia sobre sua cabeça enquanto ela andava de mãos dadas com aquele rapaz. Seus pés tocavam o aveludado tapete em que a grama se transformara enquanto seus sapatos descansavam pendurados em uma de suas mãos. Ela andava as vezes olhando para o chão e as vezes para o horizonte.
O rapaz ao seu lado ficava quieto olhando para ela de vez em quando.
- No que você está pensando? – ele perguntou finalmente.
- Na verdade eu também não sei. Só estou olhando tudo. Que lugar bonito esse que você me trouxe.
- Eu só queria que você tivesse um dia divertido.
- Obrigada, estou tendo.
- Eu sei que seria legal se mais gente tivesse aparecido. Desculpa por eu ter sido o único a vir...
- Só você está ótimo – ela disse interrompendo-o – Estou feliz que você esteja aqui.
Ela sorriu e ele apertou sua mão mais forte.
O rapaz sentiu o coração apertar quando viu aquele sorriso. Ele já a conhecia tão bem que sabia que aquele era apenas mais um de seus sorrisos quebrados. É que ela tinha mesmo uma mania de sorrir, mesmo quando não queria.
- A gente já está chegando? – ela perguntou.
- Já. É logo ali, depois daquela pedra.
- Onde é mesmo que vamos?
- Você vai ver.
Os dois continuaram andando em silêncio. Ele se sentiu inútil. Amava tanto a menina ao seu lado que trocaria os seus sorrisos pelos dela. Ele sabia que ela estava se esforçando e sabia o quanto ela era forte. Passar por tudo o que ela passou e não ter desmoronado... Só uma pessoa como ela conseguiria. Se fosse com ele, jamais resistiria.
- É ali dentro.
Caminharam mais uma pequena trilha e chegaram a uma gruta. As pedras fizeram um pequeno túnel e de dentro dele saía um som de água.
- Que bacana – ela disse.
- Vamos entrar?
(...)
Os dois entraram. Estava tudo escuro e eles foram andando bem devagar. Ele ia a frente, pois já conhecia o caminho, e ela o seguia bem de perto sem soltar sua mão. A respiração dela era calma, apesar de seu leve nervosismo. (...) Ela estava começando a se sentir mal por estar um pouco triste. Ele estava se esforçando para que ela tivesse um bom dia e nem ao menos um sorriso sincero ela conseguia lhe retribuir. Era incrível aquele garoto. E enquanto mais tempo ela passava com ele, mas ela queria vê-lo. Ele era tão clichê para ela, que se tivesse que defini-lo, diria que ele era seu porto seguro.
- Pronto, é aqui. Tá ouvindo? – ele perguntou.
- Sim. Barulho de água.
- Vamos sentar um pouco? Sente aqui que eu vou pegar uma lanterna.
- Se você tinha lanterna, por que a gente teve de vir no escuro?
- Eu tinha esquecido dela. Só lembrei agora.
Eles riram. Parecia que agora ela ria de verdade. E parecia também que agora ele estava menos nervoso. Ela sentira o nervosismo dele quando ainda estavam andando na grama. Toda as vezes que eles davam as mãos ele ficava meio esquisito. Ela achava engraçado e mesmo percebendo a maneira como ele se sentia, não o soltava. Gostava de sentir o calor das mãos daquele rapaz. Ele tinha mãos grandes e os dedos dela se perdiam entre os deles. Mesmo com toda aquela ansiedade, ela se sentia confortável perto dele e talvez até segura. Não era desse jeito que ela o definia? Como o porto?
Ela se sentou onde eles tinham parado com medo de mudar de lugar e acabar encontrando algum tipo de bicho venenoso. Uma luzinha azulada se ascendeu atrás dela. E então ela viu toda a fonte.
- Nossa! É linda!
- Acho que fica mais bonita com esse efeito.
De dentro das rochas fluíam águas límpidas, transparentes. Eram tão claras que brilhavam. Desciam em cascatas fracas da parede, formavam uma pequena lagoa e iam embora em um riacho.
- Feliz aniversário – ele disse quase tímido.
A garota olhou para ele fixamente e viu um lindo cupcake nas mãos dele. Em cima tinha uma velinha rosa apagada.
- Desculpa, eu esqueci de trazer fósforo ou isqueiro, então não vai dar para acender...
Ele parou de falar porque ela começou a chorar.
- Quê? Por que você tá chorando? Não gostou?
- Gostei sim. Gostei muito. Obrigada.
Eles se abraçaram e logo ela parou de chorar. Cortaram o cupcake (...) e comeram enquanto conversavam.
- Eu não pude comprar nenhum presente... – ele começou a falar.
- Você já me deu um dia maravilhoso! Não preciso de mais nada...
- Deixa eu terminar de falar.
- Desculpa – ela respondeu sorrindo.
- Então, eu não comprei nada, mas me disseram que essa fonte realiza desejos. E eu acho que é verdade, porque eu já fiz um desejo aqui e ele se realizou. Então, eu acho que você tem que caprichar e fazer um que seja muito difícil de acontecer. Pega uma pedra, escreve o que você quer nela, e quando a água apagar o que estiver escrito, seu desejo se realiza.
- É mesmo? Será que vai demorar para acontecer?
- Não sei. A gente tem que tentar.
Ele entregou uma pedra da margem da lagoa e lhe disse para raspar com o canivete. (...) Ela riscou uma palavra de 10 letras, fechou os olhos e jogou a pedra riscada dentro da água. Eles terminaram o bolinho e decidiram voltar antes que escurecesse.
O céu já estava alaranjado e agora ela estava calçada. Voltou a segurar a mão do rapaz ao seu lado e por algum motivo seus passos estavam mais leves e a mão dele mais quente.
- Se eu fizer uma pergunta você me responde? – ela disse.
- Sim. O que foi?
- O que você desejou?
Ele pareceu ficar meio desajeitado e, pode ter sido só impressão, mas ela acha que ele ficou com o rosto vermelho na hora. Ele tossiu, deu um sorriso de lado e respondeu olhando para ela:
- Desejei passar o dia todo com você.
Ela olhou em seus olhos e sorriu. Ele retribuiu o sorriso, feliz. Não era um sorriso quebrado, nem pela metade, muito menos triste. Ela estava sorrindo de verdade, com todo o espírito, pela primeira vez em muitos dias. Aquele sorriso o aqueceu de tal forma que o contagiou e ele não lembra de ter ficado tão feliz apenas por ver outra pessoa sorrir.
- E você, o que pediu? Ah é! Se você contar pode não se realizar, não é?
- Tudo bem, já se realizou.
E os dois saíram andando pelo caminho de mãos dadas (...). O sol já estava indo embora e em pouco tempo o dia de seu aniversário acabaria. Ah, sim, o que ela pediu? Nada além daquilo que todos nós queremos: FELICIDADE.
E parabéns para mim que fiz anivers ário sexta-feira, dia 30 de setembro ^^
Ah, sim, escrevi essas histórias umas duas semanas antes.

4 Comentários:
Aim que lindo *-*
Adorei esse texto, de vdd...
To sem palavras *-*
Comprei a bolinha do Luke xD
Bjoo
Nosssaaa, mas que lindo! *-*
Poxa, esse daí entrou pra um dos textos que mais gosto teu!
Chega o coração palpita ao ir lendo ele... hehehehehehe... =)
Mto bonito msm LaNiña!
Parabéns novamente...
Bjs...
Eiita menina boa de escrita rsrsrs
Espero que leve esse dom adiante e se torne uma grande escritora
Moça, me envolvi tanto com a história e quase achei ser eu o rapaz da história. Assumi a situação dele e cheguei a ter os mesmos sentimentos que você ia descrevendo, Alanna! rsrsrs
Adorei a forma como escreveu!
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