quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Medo e Insegurança

Já tinha escurecido quando Mateus desceu do ônibus e começou seu caminho rotineiro para casa. A rua estava deserta e isso o deixava nervoso. Mateus sempre teve medo do escuro, do silêncio, do vazio e às vezes até da noite. Não gostava de andar sozinho. Sempre ficava repassando as reportagens do jornal na cabeça quando passava por uma rua deserta. As vezes lembrava-se de uma garota vítima de estupro, as vezes de homens vítimas de latrocínio, ou simplesmente de pivetes que levavam celulares, carteiras e volta e meia deixavam suas vítimas esfaqueadas.
Ele caminhava apressado e as vezes dava umas espiadas para trás. Sua casa não ficava muito longe, chegaria logo e, com a graça de Deus, vivo e inteiro.
Passou por uma esquina, uma pracinha e logo mais a frente viu um cruzamento escuro. Caminhou por ele rapidamente e seguiu. Não tardou para sentir alguém o seguindo. Seria um pivete? Se fosse não teria problema, bastava entregar o celular e seguir caminho. Fazer o quê? A polícia diz para não reagir. Começou a andar mais rápido, quase corria. Sentiu que os passos atrás dele aumentaram também. Quantas pessoas estariam perseguindo-o? Uma, duas, mais? Quis olhar para trás, mas não teve coragem. Sentiu algo roçar-lhe as costas e sem demora começou a correr. Correu o máximo que suas pernas conseguiam, quase nem as sentia na verdade. Ouviu que os passos atrás dele começaram a correr também.
E se não fosse um pivete apenas? E se fosse algum tipo de maníaco, psicopata, assassino em série? Nunca se sabe onde esses monstros estão escondidos, assim como não é raro assistir reportagens sobre eles. Poderia ser apenas um, poderiam ser mais. Poderia ser apenas um ladrão assim como poderiam ser moleques pregando uma peça nele ou quem sabe apenas arruaceiros violentos. Sabe, típicos jovens de classe média que saem pelas ruas batendo em pessoas simples como empregadas domésticas, mendigos ou até mesmo índios. Índios! E se resolvem fazer com ele o mesmo que aqueles jovens brasilienses fizeram com aquele pobre índio? Queimar-lhe vivo apenas por diversão.
Tais pensamentos só pioravam na amedrontada mente de Mateus. Suas pernas não conseguiam mais sustentar seu medo, até que ele tropeçou e caiu. Ao cair, Mateus gritou, apertou as mãos no rosto e encolheu-se no asfalto já esperando o primeiro golpe de seus perseguidores. Silêncio. Nada aconteceu. Nem chute, nem soco, nem pedido de “passa o dinheiro, oh maluco!”. Mateus afastou as mãos do rosto lentamente e espiou ao seu redor. Não havia ninguém. Ele se sentou no chão e conferiu todo o perímetro ao seu redor: ninguém. Nada, nem mesmo um gato ou cachorro. Nada além dele, a rua deserta e os constantes medo e insegurança que acompanham não apenas Mateus, mas praticamente todas as pessoas que moram em cidades grandes e, infelizmente, violentas.

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Esse texto tem uma segunda parte, mas outro dia eu posto ^.^

2 Comentários:

Eduardo disse...

Realmente esse é um tipo de insegurança que todos nós temos ao passar por lugares sombrios e estranhos...

Infelizmente, estamos a mercê da marginalidade! =/

Gostei do texto, mas prefiro os de amor!!! kkkkkkkkkkkkkk...

Bjs.

Renata Chiletto disse...

Cara, isso é impressionante, eu tb morro de medo de andar na rua sozinha, principlamente à noite, mas depende tb da rua... Sei lá, qnto mais desconhecida e deserta, maior o medo...

Mas a gente não é só assaltado ou morto ou sei lá o que à noite, pode acontecer a qualquer hora do dia tb...

Gostei do texto, é emocionante *-*