quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Pensamentos


Se você entrasse nos meus pensamentos e visse tudo o que eu imagino para nós dois...
Tenho certeza que você não ia mais querer sair de lá.

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^^
Nem lembro onde/quando peguei essa imagem, mas sempre quis usá-la *-*
Ela é tão fofa xD

É, minha gente, o ano está acabando de novo e... eu realmente gostei de 2010. Ele vai ficar na categoria melhores anos da minha vida. Com toda certeza foi um ano cheio de realizações para mim. Principalmente porque foi o ano em que eu realizei um dos meus maiores sonhos.
Mesmo com todas as adversidades do ano, 2010 foi 10. ASuhAUSAHSuASHUAh! Publicidade pobre de loja de construção xP
Mas é sério. Espero que 2011 seja ainda melhor. Feliz ano novo para todos e vou tentar fazer um post de ano novo amanhã xD

Obrigada por todos os comentários, todas as lidas sem comentários e todas as visitas! Se não fosse por vocês, esse blog não seria nada ^^'
Beijão
e muita paz para todos.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Livros


Enfiava a cara nos livros, porque esse era o melhor jeito de não conviver com seus problemas.
Até gostava dos dias de aula. Sempre foi a melhor desculpa para encher a cabeça de coisas que não lhe perturbavam tanto. Tudo era válido para a fuga. Principalmente a catarse. Nada mais belo que ela. Logo essa fuga virou um vício. Encher a mente de coisas que não lhe pertenciam. Preocupar-se com problemas alheios que nunca nem existiram. Mesmo com dramas melhores em casa, mesmo sendo sua própria vida um conto. Não trocava seus livros por nada. Passava horas sem perceber o mundo ao redor. Qualquer coisa para não precisar, mais uma vez, lidar com suas próprias tristezas. Nos livros tudo sai bem no final. E se não sair, não precisa se preocupar. É só uma história, nada demais.
Lia esfomeadamente. Até as últimas páginas. As últimas sempre eram mais ansiosas. Faltavam poucas linhas para tudo acabar e muita história a ser resolvida. Sentia saudades dos personagens antes do último capítulo. Fechar aquelas vidas em uma estante... Se pudesse fazer isso com alguns capítulos de sua história, não exitaria. E uma vez na estante, era hora de encontrar outro. Uma nova saga de mais pessoas que não existiam. E isso tinha que ser rápido, porque de um livro a outro a vida reaparecia lhe cobrando uma atitude.
Atitude? Isso poderia até ser um título. Quem sabe um dia não tomaria as rédeas também?
Resolveu começar a escrever. É que ainda não sabia que de escrever não se ganha a vida. Acabou mesmo foi encontrando mais um motivo para voltar a ler.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ilusão




Qual o problema com a Ilusão?
As vezes fantasiar é necessário. Acreditar em certas coisas fazem bem para o coração e para a mente. Não é a toa que sonhamos todas as noites com coisas absurdas. E inclusive é por isso que ouvimos contos de fadas.
O que é enganar-se pelo menos um pouquinho? Se viver só de sonhos pode matar, viver só de realidade é suicídio.
Acreditem ou não. É só o que eu penso.




imagem

domingo, 26 de dezembro de 2010

Mortes

Me disseram que perder a vida sem morrer é pior do que de fato de morrer. Não sei se concordo totalmente com isso. Enquanto existe fôlego, existe esperança. Depois que a vida deixa um corpo, não há mais nada além da lembrança.
Tudo tem jeito, menos a morte. Ela sim é irreversível.
Se você vive, mesmo que morto por dentro, ainda existe solução. A esperança não morre.
E deve ser justamente ela que machuca. Essa fulana que atormenta com a possibilidade da solução. Nos deixa inquietos e buscando um caminho que termine bem, mesmo quando pensamos que não vai terminar da melhor maneira.
Quem deseja a morte é porque não entende o que ela significa. A morte é o fim de tudo. Até da maldita esperança. Só não é o fim do sofrimento. Onde há morte, há tristeza, há dor.
Ainda assim, não sei qual delas mata mais. Deve ser aquela que te permite respirar mesmo. Afinal, ela mata duas vezes. Mas ainda assim tenho minhas dúvidas.
Se a esperança te traz desespero a falta dela é ainda mais desesperadora. Se a esperança é a última que morre, então, quando ela acaba o que nos resta? Quando todas as chamas se apagam, como enxergar na escuridão?
De fato, quem deseja a morte não sabe o que ela significa. E quem a teme também não.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Ceia

As ruas estão cheias de gente fazendo compras. Presentes para os amigos. Eu estou sentando na praça apenas vendo o movimento. Não tenho amigos para presentear.
Toda hora passa alguma mulher com sacolas grandes de supermercado. Não tenho certeza do que tem dentro, mas pelo jeito que o Espinafre espicha o pescoço quando uma passa deve ser comida. No fim do ano as pessoas comem demais. Vi na tevê que eles chamam a janta de ceia e comem em família. Eu mal tenho comida, quem dirá família.
Na verdade, até que tenho família. Só que faz tanto tempo que não vejo que nem sei se reconheço mais alguém. Uma vez eu quis criar um menino. Até deixava ele me chamar de tio. Só que uma vez o safado me roubou e fugiu. Desde então só tem eu e o Espinafre.

Sabe, as pessoas não são confiáveis, não. Sempre querem alguma coisa. O Espinafre não. Para ele basta uma coceira na orelha que já fica feliz. Quando não tem comida, ele acha alguma coisa no lixo e fica satisfeito da vida. A noite eu até durmo sossegado. Forro o chão com papelão e me enrolo em um cobertor de flanela que ganhei de uma igreja. O Espinafre se enrola perto do meu pé e não deixa ninguém encostar. Isso sim que é amigo.
Disseram que essa noite é Natal. Por isso que tá todo mundo correndo. Decidi que também vou comemorar. Entrei numa loja de animal e comprei carne em lata pro Espinafre e uma coleira vermelha. Pronto, presente para um amigo já dei.
A ceia var ser a carne do Espinafre e para mim...  Quero um pão com carne de sanduíche. Mas dessa vez vou comprar com batata frita e suco. E ai ser um dos grandes! Só tenho que esperar anoitecer. Enquanto isso vou no córrego lavar o corpo e banhar o Espinafre. Acredita que nem pulga ele não tem? Mato tudo. Ele sempre está bem limpo.
Agora vou comprar a comida. Não me deixaram entrar com o Espinafre. Disse pra ele me esperar do lado de fora e entrei. Uma moça com cara de assustada me atendeu. Pedi um lanche e ela começou a falar inglês. Esse povo é besta! E eu lá sei o que é um “chiquen”! Pedi o mais bonito das fotos.
Lá pelas tantas fui com o Espinafre para a praça. As luzes da fonte já estavam ligadas e não tinha tanta gente na rua mais. Coloquei a carne do Espinafre na caixa que veio o meu lanche. Acho que ele gostou. Comeu feliz da vida e me olhou agradicido. Quando comece a comer os foguetes começaram a estourar. Já era o Natal. Espinafre encostou a cabeça na minha perna e eu cocei a orelha dele. A noite tava bonita, mas a gente já ia dormir. E feliz da vida, porque a barriga tava cheia.
Acho que amanhã, aquele povo de igreja vem de novo trazer pernil e peru para gente. Coisa de ceia.


Feliz Natal.
^.^

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sonhos


Cansei de todas as noites sonhar com a mesma pessoa.


Só insisto nisso porque os meus sonhos é um dos poucos lugares em que eu ainda posso te encontrar
e ser sinceramente eu. Sem nenhuma ressalva.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Artificial



Tenho o vento salgado em meu rosto e a imensidão à minha frente. Ambos se estendem e se tocam no infinito, o mar e o céu. Aqueles em que nunca teremos vida suficiente para nadar, nem o fôlego necessário para voar. A vida não é o bastante e ao mesmo tempo é longa demais. O futuro é como as águas do mar, ninguém sabe onde começou ou onde terminará. Você pode escolher se será salgado demais ou temperado o bastante.

Deveria ter areia sob meus pés, mas o que tem na verdade é concreto. Tudo virou concreto e não se pode construir castelos. Disseram que a areia estava invadindo a pista. A pista que também deveria ser de areia, mas é de piche. Piche que deveria ainda ser dinossauro. Ou planta ou nada. Tanto faz. As mudanças são necessárias.É assim que ocorre o progresso. Andar para trás também é avançar?
A onde deveriam ter coqueiros, existem palmeiras que não dão cocos. É que a queda desse fruto poderia amassar algum automóvel. Imagina? Absurdo. Ao invés dos sabiás o que a gente ouve é um pagode. Não de um grupo, mas de uma caixa. Não há cabanas, mas os hotéis são de um luxo extraordinário.
A única coisa que permanece é a água. Nem vida, nem luz, nem sons, nem cheiros, nem memórias, só água. E o quer que tenha lá dentro não passa de segredo. Segredo do futuro, do mar, daquilo que chega quando a vida não é mais suficiente para preencher o aquilo que nos falta.
(12 de dezembro de 2010 - 21:49)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Um dia de Luto

A morte é uma coisa mesmo assustadora. Ela está o tempo todo ao nosso redor, nós sabemos disso, mas nunca estamos prontos para ela.
Lembro da primeira vez que me deparei com a morte. Eu estava no jardim III e tinha um colega que sempre ia de boné porque era careca. Mesmo sendo pequena, na época eu já sabia que aquilo era sintoma de quimioterapia. Meu coleguinha tinha câncer e um dia ele não foi para a escola. A tia nos reuniu explicou o que aconteceu e nos pediu para escrever cartinhas. Ele nunca mais voltou para a escola, eu nunca mais o vi, mas até hoje tem uma fotografia dele aqui em casa com seu boné azul, em um dos meus aniversários.
Eu não sei se foi naquele dia que eu aprendi o que era a morte ou se já sabia o que ela era antes daquilo. Não lembro se senti saudades...
Os anos se passaram e lembro de uma vez meus pais terem me deixado em casa para ir a um velório. Uma senhora da rua tinha morrido. Eu não sabia ainda o que era isso, mas sabia que nunca mais a veria. Ela nunca mais iria varrer as folhas da calçada pela manhã.
Não lembro quando foi que eu aprendi o que era a morte.
Acho que deve ter sido na Sessão da Tarde... Lembram do filme "Meu Primeiro Amor"? Deve ter sido através dele que eu entendi a morte. Eu sabia que as pessoas iam morar com Deus e que não voltariam nunca mais. As pessoas ficavam tristes, choravam e reviviam os valores da outra que tinha ido embora. Eu sabia o que era a morte, mas ainda não tinha entendido como ela era...
Até que nas férias de 2002 ela veio visitar minha prima. Foi a tarde mais longa da minha vida. Eu me recusava a acreditar e gritava com quem tentava me explicar que ela tinha morrido no acidente. Era uma quinta-feira e o sol deve ter levados umas 48 horas para se pôr. Lembro da minha outra prima chorando atrás de uma árvore, da minha tia - a mãe dela - sendo carregada pelas minhas outras tias, meu avô sentado imóvel no sofá como se também tivesse morrido... mas para mim era tudo mentira. Até que minha mãe me mandou arrumar as malas para que voltássemos a Brasília para o enterro. Foi a primeira vez que a morte doeu.
Em seguida aconteceu em 2005. Meu tio, pai dessa minha prima, estava doente e estava na UTI. Eu o visitei um dia, conversei com ele. Falei que já tinha começado as aulas de teclado. Esperava que ele me ouvisse. Dizem que o coma mantém a consciência da pessoa. Depois disso fui embora e para me distrair me levaram a uma festa. Durante a festa um celular tocou e de novo minha mãe veio me avisar que a morte havia chegado. Acho que dessa vez, doeu até mais. Meu tio que tinha me acolhido em Brasília como a segunda filha dele. Meu tio que me visitava a noite para desejar boa noite também havia ido embora. E a única coisa que me consolava era saber que finalmente ele tinha alcançado descanso, pois há anos sua alma já estava meio morta mesmo. Até hoje escuto sirenes tocando de madrugada em noites chuvosas. Ele era policial civil e meio palhaço. Então em noites de ronda, ele passava na porta da minha casa e ligava a sirene bem alto.
Hoje acordei meio cedo. Meu irmão tem vestibular daqui a pouco. Resolvi mexer na internet, entrei no orkut e lá estava o recado de uma amiga dizendo que um amigo meu também foi embora. A morte também chegou para ele. E eu não sei como foi! Nem sei quando foi! Mas o orkut dele me disse que já tem alguns dias. Me parece que desde de 15 de dezembro, mas não tenho certeza. Ele fazia Direito na UnB e tinha sonhos que uma vez compartilhou comigo. A última vez que o vi foi correndo. Ele ia fazer uma prova e eu estava atrasada para uma aula. Nem um abraço nos demos. Ou talvez demos, mas foi rápido demais para uma despedida. Talvez tenha sido melhor assim. Um dia a gente se reencontra. O que eu gosto na religião é o conforto que ela nos oferece. Acreditar que um dia me reencontrarei com todas essas pessoas em uma situação ainda melhor é o que não me deixa sofrer tanto.
Quando eu era pequena li um livro sobre morte. A gata de uma menina morria e surgiu o seguinte diálogo:
- Vovô, a morte dói?
- Só nos que ficam.
Então que a morte seja também uma forma de alívio. Mais do que um adeus.

Wendell, sinto muito sua falta e gostaria de te falar isso um dia. Desculpa por não ter ido ao velório (eu só soube hoje da sua partida) ou por nunca ter dito o quanto você era importante para mim.


Wendell já foi citado antes nesta postagem: Tempo de Deus.

Paz para todos e lembrem que a vida é efêmera. Curta, passageira.

domingo, 12 de dezembro de 2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Anônimo


Falam tanto de amor anônimo, mas esquecem que o que existe de verdade
e em maior intensidade
é o ódio anônimo.
Aquele que mata devagar,
começando pela mente, descendo à alma até chegar ao corpo.
Eu, por exemplo,
só vim aqui para dizer o quanto eu odeio
e sempre odiei
você.
Esse meu ódio anônimo,
há tanto tempo cultivado com esmero,
e amor,
apenas para nunca desaparecer.
Porque eu jurei, que antes mesmo de morrer de ódio,
eu mataria você.
Mataria de raiva, de graça, por prazer.
Eu que sempre e tanto te odiei
porque nunca pude amar você.

(20 de novembro de 2010 - 14:16)

domingo, 5 de dezembro de 2010

Sensação


Hoje fugi da presença dele para que eu não corresse o risco de me deixar levar por essa sensação que começa a me perturbar.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A Noiva

Susie foi criada para se casar. Logo de cara era possível ver estampado em seus enormes olhos azuis esse desejo. Desejo despertado não apenas por sua criação, como também, e principalmente, pelo vizinho: Beto.
De fato, desde o início pareciam feitos um para o outro. Os olhos azuis de Susie para os olhos castanhos de Beto, os grossos lábios da moça, para os lábios fino dele, os dedos delicados dela para as grandes mãos do rapaz. Suas expressões, suas manias, suas companhias. Tudo neles se encaixava perfeitamente. Certamente feitos um para o outro.
Chegou então o dia em que cumpriria seu destino de noiva. Com amor, cuidado e esmero começaram os preparativos. Seus longos cabelos castanhos com reflexos loiros ganharam um penteado elegante, porém simples, pois em breve seria escondido pelo véu rendado com uma fita. Um vestido longo rodado com o corpete rendado enfeitado por fitas e pedras era de um branco impecável. Luvas rendadas até os cotovelos e, além dos sapatos e dos brincos, um modesto e belo buquê de rosas brancas. Beto da mesma forma já estava pronto dentro de seu smoking preto e de gravata prateada.
Tudo checado, confirmado e verificado. Os dois foram colocados lado a lado e esperaram. Esperaram pelo momento em que o destino deixasse de ser apenas uma profecia e se tornasse realidade.
Susie de um lado com todos os seus desejos e sonhos e Beto do outro como todos os seus amores. Ombro a ombro, sem se tocarem, sem mal se verem, apenas esperando pelo momento tão almejado por ambos.
Beto casou-se várias vezes com outras Susies.
Já Susie espera até hoje. Vestida em seu vestido amarelado com os olhos cobertos pela grinalda e as mãos, já sem luvas, atadas pelo buquê que nem o tempo conseguiu ressecar. Seus olhos, com o mesmo tom de antes, são apáticos e gélidos e já não se sabe mais se ela espera pelo amor ou se simplesmente porque se habituou a esperar. Seus lábios rosas não sorriem e seu coração de plástico nunca chegou a pulsar ou sequer a existir.
É provável que Beto já tenha partido sem nunca ter reencontrado sua Susie prometida. E Susie, a eterna noiva – e nunca esposa – continua de pé na estante de uma garota que há tempos não brinca com ela. Sua querida, boneca noiva.


minha boneca é linda. e fui eu que tirei essa fota =) é.
escrevi esse texto em 26 de agosto de 2010. espero que gostem e que ele seja mais do que mero passatempo.
paz.