quinta-feira, 24 de maio de 2012

Afinal, o que é que você quer?

Quando me perguntam, "afinal, Alanna, o que é que você quer?" eu não fico em calada por não saber o que eu quero. Na verdade eu sei muito bem o que eu quero. Mas o que eu quero não responde a pergunta que me fazem.
O que eu quero não é material. Meu maior desejo, meu grande sonho, aquele que eu peço para Deus todas as noites antes de ir dormir, não é um emprego maravilhoso, nem uma casa bonita. Não é dinheiro, nem fama. Acontece que eu passei tanto tempo desejando isso que esqueci de pensar nas outras coisas.
Quando vocês olham para mim e pensam que eu sou indecisa por não saber qual curso da faculdade fazer ou que carreira seguir, na verdade, é só que nada disso é meu sonho. Eu não sou indecisa, eu sei bem o que eu quero, mas o que eu quero... o que eu quero é construído e na situação em que me encontro agora estou longe de poder começar a fazer alguma coisa. Talvez menos longe do que antes, é verdade, mas sinto que ainda está um pouco distante.
Parece aquela coisa que cai atrás do armário e a gente se estica todo para pegar. Tem vezes que eu sinto as pontas dos meus dedos tocarem e aí... aí ele rola para mais longe e eu não consigo pegar de novo. E eu estou me esforçando tanto para pegar que esqueci das outras coisas.
Esqueci dos outros sonhos que as pessoas normais tem. Esqueci de desejar um emprego, uma casa, esqueci de desejar ter estabilidade financeira... Eu esqueci dos sonhos normais!!! E quando me perguntam o que eu quero eu não sei responder porque, na verdade, eu comecei a pensar neles agora. Como eu já posso decidir o que eu quero se ainda não alcancei meu desejo? Como posso deixar meu sonho atrás do armário para decidir meus outros sonhos? E se ele ficar lá tempo demais? E se eu me afastar para desejar outros sonhos e esquecer onde meu verdadeiro sonho está? E se eu conseguir alcançar o sucesso, mas nunca mais ter tempo de procurar atrás do armário por aquilo que eu realmente desejo?
Se coisas como essas acontecerem, eu vou ser capaz de sorrir mesmo assim? Eu não quero continuar chorando... eu não quero continuar sentindo esse vazio dentro de mim... Eu só preciso me esticar mais e alcançar... Mas ao mesmo tempo eu tenho os outros sonhos, né?
Eu tenho que escolher uma profissão e ser bem sucedida nela. E antes disso eu tenho que me especializar na minha futura profissão. E antes disso eu tenho que me formar na área que eu desejo.
Desejo? Ah... não sei se seria essa a palavra. Porque para mim, desejo mesmo, é aquela primeira coisa que vem na cabeça antes de jogar uma moeda na fonte ou antes de assoprar as velinhas ou quando passa uma estrela cadente. Aquele primeiro pensamento que é tão profundo que dói o coração e que quando alguém nos pergunta "o que foi que você desejou?" você responde "eu não posso dizer, senão não vai se realizar".
E eu não vou dizer para vocês o que eu quero afinal. Mas para falar a verdade é uma coisa bem simples e que, provavelmente, todos vocês desejam também.

sábado, 12 de maio de 2012

"Saudade é para quem tem"

Sabe as amizades para sempre? Sabe os amores eternos? Por que nada disso existe?
Por que as pessoas que eu amo estão tão longe de mim? Tão longe que só de lembrar eu já sinto vontade de chorar.
Por que não dá para confiar em ninguém?
Eu estou com tanta saudades de vocês... Vocês que diziam que me amavam, que iam sentir minha falta, que nunca iam me esquecer, que iam me ligar... Eu estou com tanta saudade de vocês que sabiam meus segredos, de vocês que me conheciam tão bem e conseguiam me amar mesmo assim. Eu estou com tanta saudade que eu gostaria de voltar para perto de vocês, de ganhar um abraço apertado e sorrir como se nada mais no mundo importasse do que nossa companhia. Porque realmente, quando estamos juntos, nada mais importa mesmo.
A verdade é que eu me sinto tão sozinha. Eu queria alguém que me reconhecesse e que me lembrasse de quem eu realmente sou, porque eu já estou aqui há tanto tempo que nem lembro mais onde estou. Eu não sei quase nada de mim. A única coisa que eu lembro é que de junto de vocês eu era mais... mais eu. Eu não tinha medo de nada, porque vocês estavam comigo. Vocês sabiam meus pontos fortes, meus pontos fracos, minha arrogância, minha estupidez e minha miserável fragilidade. Essa que está ficando cada vez mais difícil de esconder. É que quando eu estava com vocês, ela não era assustadora, afinal, eu tinha vocês para me protegerem. Meus super-heróis sem capas, meus anjos sem asas.
E agora? Agora o que eu tenho? Nessa cidade cinzenta só existe o frio do concreto, a solidão do aço e o rebuscado dessas formas absurdas. E eu gosto do simples. Do quieto, do calor, do aconchego. Eu gosto é de vocês. E eu estou com tanta saudades... saudades de acreditar, saudade de sonhar, saudade de ter fé. Ah, se eu pudesse pegaria agora o primeiro avião e correria para os braços de vocês. Mas não é mais como antes, não é? Porque não se pega avião para o passado.
Eu ainda tinha tanta coisa para escrever, mas vou deixar que essas gotinhas me calem e digam por mim tudo aquilo que eu não consigo.
E saudade, Marcelo, saudade é para quem teve.




quarta-feira, 2 de maio de 2012

Pior do que isso


Fazia tempo que eu não me sentia assim. Na verdade, acho que eu nunca tinha me sentindo assim. Me sinto um lixo. Tive que me retirar à minha insignificância sem poder reclamar. Porque eu não tenho direito de falar. Eu não tenho voz. Eu não sou ninguém. Absolutamente ninguém.
Mas eu sempre soube que era assim. Eu sempre soube que o que me restava eram as sobras. Eu sempre soube que eu fui o segundo plano, o plano b, o step. Eu sempre soube que eu sou apenas a pessoa que toma de conta dos bens dele. Eu não sou nada mais do que isso. Uma guardiã, um caseiro. Nada me pertence.
Eu não posso reclamar. Porque existem ameaças em todos os cantos. Eu tenho que engolir tudo calada, senão nunca mais terei direito de engolir nada. Se bem que essa opção não me parece tão ruim.
Em dias como esse, em que as lágrimas me afogam, eu tenho vontade de sumir, de ir embora e não deixar endereço nem telefone nem lembranças nem nada. Tenho vontade de fingir que nunca existi. De apagar minhas memórias. E tudo que eu faço está errado. Eu sou errada.
Lixo? Lixo é muito. Eu sou pior do que isso. Eu sou o chorume. Eu sou o fim. Mais que isso, eu não sou nada.
E eu estou tão cansada. Todos os dias eu peço que os dias passem mais rápido para que eu possa ir embora logo. Todos os dias. Eu queria dormir essa noite e acordar aos 40 anos. Queria mesmo passar tudo mais rápido e apagar esse pedaço da minha vida. Queria que meu desespero fosse ouvido e que alguém me resgatasse.
Mas eu nunca serei ouvida, eu nunca vou me salvar. Vou ficar para sempre aqui nesse buraco cheia de terra por cima de mim. Eu nasci morta e o buraco que é o lugar dos mortos.  Essa é a explicação para todo esse esquecimento, todo esse descaso, todo esse silêncio. Eu morri no meu primeiro choro, porque sabia que ele iria durar para sempre. Então, naquele primeiro fôlego, enquanto todos sorriam por me ouvir chorando, eu bebi minhas próprias lágrimas e morri.
O que vocês vem aqui é apenas uma múmia sem orgulho, sem amor próprio, que se alimenta dos restos podres que nem as larvas quiseram consumir. Essa sou eu. Muito prazer.

E agora, eu não consigo mais dormir.

domingo, 29 de abril de 2012


- Por que você anda tão calada?

(Por causas desses teus olhos que parecem querer coisas que não deveriam. Pela tua presença que me faz querer o que não me é permitido. Pela inconstância que você me traz toda vez que sorrir, pela alegria em que me encontro quando acho que você pode estar pensando em mim...)
- Porque ultimamente não tenho muita coisa para falar.

TPM

Devia ser a décima vez que ela olhava o relógio. Duas horas haviam se passado e ela continuava plantada, esperando por algo que não acontecia. Ou seria alguém que não vinha? Parecia entediada no início, aflita em seguida. Balançava a perna freneticamente. Pegou o celular e ligou para alguém. Sua inquietação ficou pálida e depois vermelha. Ela levantou irritada, jogou o aparelho no chão que se partiu em 4 pedaços, e foi embora. Depois voltou, abaixou-se e começou a chorar. As lágrimas não foram muitas. Rapidamente elas sumiram, ela se levantou com a maquiagem meio borrada, catou os pedaços do aparelho e foi embora como se nada tivesse acontecido.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Felicidade


um momento tão feliz, mas tão feliz que você começa a ficar triste por saber que nunca mais será tão feliz de novo.

segunda-feira, 16 de abril de 2012


Bonito mesmo seria se quando eu pensasse em você eu não tivesse tanta vontade de chorar.